Morro do Céu é uma bomba-relógio – Lixão no topo do morro preocupa moradores ao lado do Morro do Bumba

Abril 9, 2010 | Padrão

Lixão no topo do morro preocupa quem mora ao lado do Morro do Bumba.
Água da chuva ainda escorre pelas casas construídas na encosta.

Os moradores do Morro do Céu, área vizinha ao Morro do Bumba, em Niterói, consideram a região uma ‘bomba-relógio’ e acreditam que, se a chuva continuar, uma tragédia pode acontecer no local com mais gravidade do que o deslizamento ocorrido na quarta-feira (7). Parte da preocupação deles é com o lixão que funciona no local e a presença de gases e chorume que escorre pelo terreno e pelas residências.

Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que o aterro do Morro do Céu foi interditado provisoriamente pela Defesa Civil municipal nesta sexta-feira (9) após a ocorrência de dois deslizamentos e quedas de árvores que ocorreram em seus dois acessos.

O Corpo de Bombeiros informou que subiu para 212 o número de mortos em decorrência das chuvas que atingiram o estado do Rio. O município de Niterói, na Região Metropolitana, foi o mais castigado: já chega 132 o número de vítimas das chuvas na cidade.

“O Morro do Céu é uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento. Aquele lixão vai provocar uma tragédia igual a do Morro do Bumba. Isso porque o aterro de lá estava desativado e, este aqui, está em pleno funcionamento”, disse Marino Gonçalves de Medeiros, 59 anos.

Ele foi presidente da associação de moradores da região durante seis anos e disse que já alertou a prefeitura de Niterói sobre os riscos de deslizamento no local desde 1995. “Eu encaminhei um pedido de construção de muro de contenção aqui e nada foi feito até agora”, disse Medeiros.

Casas abandonadas

Cerca de 40 famílias abandonaram suas casas na Travessa Joaquim Alvorada, no bairro Fonseca, em Niterói, depois dos quatro dias de chuva na região.

Alexandre Mendonça da Silva, 39 anos, é um dos que saíram de casa às pressas. “Não temos como ficar. Três pedras que estão no alto do morro podem cair a qualquer momento. Já houve deslizamento de terra na região e muitas casas foram atingidas.”

Eliane Nunes, 45 anos, está preocupada com a situação, já que mora com um irmão que tem dificuldade de locomoção. “Ele só anda de cadeira de rodas. Se começar a deslizar tudo por aqui não terei como socorrê-lo. Preciso saber se mina casa está em área de risco.”

Deslizamento no Morro do Céu

A cabeleireira Luciana Machado Vieira, 39 anos, precisou abandonar sua casa, no Morro do Céu, na terça-feira (6). “Minha casa não foi atingida pelo deslizamento, mas foi condenada pela Defesa Civil e precisei sair. Estou voltando hoje [sexta-feira] para tentar retirar alguns objetos pessoais.”

Luciana afirmou ainda que vai levar o casal de cães e seus cinco filhotes de um mês. “Só deixamos ração para eles, mas não tivemos como levá-los em um primeiro momento. Agora, eles não ficam mais longe de nós.”

Salvos do deslizamento

A família de Simone Belga Fernandes, 25 anos, escapou da morte ao ouvir o barulho de uma pedra gigante começar a deslizar pela encosta que fica atrás da casa onde morava até a madrugada de quarta-feira (7), no Morro do Céu, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. O local é próximo ao Morro do Bumba e é coberto por um lixão.

Ela contou que estava na sala momentos antes da pedra atravessar a casa: “Eu estava dormindo com meus filhos no sofá. Os vizinhos começaram a gritar e eu corri com as crianças de lá”.

Simone disse que não teve tempo de pegar nada e perdeu tudo o que tinha. “Agora estou na casa de parentes, vivendo de favor. Não sei se terei como voltar para lá”, afirmou ela, que está buscando doações para vestir e alimentar os filhos. “Eles ainda estão com problemas de saúde por causa do contato com a água que escorre do lixão do Morro do Céu.”

Fonte G1

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