Crimes eletrônicos – Ataques feitos por crakers podem comprometer o crescimento econômico do Brasil

agosto 24, 2012 | América do Sul, Bancos, Brasil, Comportamento, Crime, Tecnologia

Os crimes cometidos atualmente nos meios eletrônicos são os mesmos cometidos há séculos, só o que mudou foram a forma e o meio como eles são realizados. Este é o consenso a que chegaram os especialistas presentes no 4° Congresso de Crimes Eletrônicos e Formas de Proteção, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), nos dias 23 e 24 de agosto.

Hoje, de acordo com dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), o internet banking é utilizado por 46% das contas ativas no País e 24% das 66 bilhões de operações bancárias realizadas em 2011 foram feitas pela internet. E são justamente esses números que atraem os criminosos para o novo meio. “No segundo trimestre de 2012, houve um aumento de 39% no número de paginas falsas de bancos com fishing de dados“, revela o presidente da Febraban, Murilo Portugal.

O problema, na opinião do diretor executivo da Tempest Security Intelligence, Cristiano Lincoln, é que esse novo ambiente ainda é pouco conhecido pela maior parte das pessoas. “Da mesma forma que as pessoas evitam andar muito tarde da noite em uma rua escura e pouco movimentada, com o tempo, irão aprender a reconhecer ameaças no mundo digital e se proteger”, pondera. Entretanto, atualmente “temos um analfabetismo digital muito grande no Brasil”, afirma o diretor da APura Cibersecurity Intelligence, Rodrigo Antão. Problema que é reforçado pelo avanço das técnicas para obter dados ou invadir sistemas. “O cadiadinho no canto da página já não é a maior referência em segurança, está ultrapassado”, alerta.

O presidente do Conselho de Tecnologia da Informação da FecomercioSP, Renato Opice Blum, opina que seria uma boa ideia para mudar esse cenário o governo subsidiar a aquisição de softwares de proteção. Até porque, pouco mais de um quarto das vítimas de crimes cometidos por meio eletrônico não voltam a realizar compras pela internet, conforme mostra a 4° Pesquisa sobre Hábitos dos Usuários da Internet, realizada pela FecomercioSP. “O número preocupa, também, porque pode ser um limitador do crescimento econômico.”

A realidade não é diferente para as empresas. Segundo revela a analista de segurança da Cert.br, Miriam Von Zuben, 34% das invasões em sistemas empresariais acontecem porque as senhas de segurança são muito fracas. A proteção de dados também não costuma ser eficaz. O backup interno é a medida de proteção mais adotada, sendo utilizada por 79% delas. A encriptação de dados, por outro lado, só é feita em 27% das empresas. Mirian destaca, entretanto, que o mais preocupante é 29% das empresas afirmarem nunca ter encontrado um problema de segurança. “Como o número é grande, é mais provável que muitas dessas empresas não tenham notado o ataque”, avalia.

Eduardo Neves, consultor da Camargo Neves RMS, argumenta que as grandes empresas já estão se profissionalizando e investindo em proteção, o que faz com que “o crime vá atrás do usuário final”. E o usuário final, de acordo com Neves, não é o que está em casa, com seu computador pessoal, mas 90% das empresas no País, que são micro e pequenas e não tem recursos para se proteger.

Por outro lado, não é somente dos crackers que os usuários da internet precisam se proteger, mas também dos amigos. Carlos Cabral, consultor da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviço (Abecs), alerta que há três formas de violação da privacidade na internet: a não percebida, quando alguém invade seu sistema sem você saber; a desejada, feita pela própria pessoa que quer aparecer e ter seguidores; e a indesejada, quando um amigo posta uma foto comprometedora sem se importar se você gostaria de ter aquele momento particular compartilhado na rede.

As redes sociais, aliás, foram um dos tópicos mais comentados durante o congresso. O perito criminal do Departamento de Polícia Federal (PF), Jorilson Rodriguez, afirma que querer manter a privacidade e participar de redes sociais são dois comportamentos contrapostos. O Trade-off é claro. “As pessoas estão abrindo mão da privacidade para realizar operações nas redes sociais”, explica Rodriguez. “As redes sociais estão coletando dados de todos, inclusive as minhas preferências. Os meus contatos, as preferências dos meus contatos…”, corrobora Cabral.

E como lidar com essas invasões de privacidade e outros crimes no mundo digital? Armando Luiz Rovai, presidente da Comissão de Direito Empresarial da Seccional São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil(OAB/SP), assume que o Poder Judiciário ainda não está preparado para julgar certas questões empresariais ou sobre as compras e vendas na internet, mas afirma que um novo ordenamento legal especifico está sendo trabalhado.

Marcos Vinicius Garcia de Lima, também perito criminal do Departamento de Polícia Federal, relata que a PF está, igualmente, se estruturando para isso. “Já estamos tão bem equipados quanto o FBI e outras forças de referência no campo.” Mais importante do que o equipamento, a PF também está capacitando recursos humanos. “Já contamos com 180 peritos no Brasil”, revela.

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