Dívida bilionária – Michael Jackson e os seus problemas financeiros

junho 26, 2009 | Acidentes, América do Norte, Ator, Bizarro, Cantor, Celebridade, Cinema, Comportamento, Dançarino, Desenho, Economia, Entretenimento, EUA, Filme, Flagrantes, Foto, Game, Impostos, Incidentes, Internacional, Justiça, Mundo, Música, Polícia, Receita Fedral, Relacionamentos, TV, Videos

Foto-Michael-Jackson-em-show-na-Califórnia-em-2002Cantor gastou anualmente US$ 30 milhões a mais do que ganhava.
Jackson contou com apoio de amigos ricos para saldar dívidas.

Michael Jackson, o cantor, também era Michael Jackson, o negócio de bilhões de dólares

Morre Michael Jackson

Ainda assim, depois de ter vendido 61 milhões de cópias de seus álbuns nos EUA e ter uma atração aberta por uma década em parques temáticos da Disney, o “Rei do Pop” morreu nesta quinta-feira (25) aos 50 anos supostamente afundado em US$ 400 milhões (aproximadamente R$ 770 milhões) em dívidas, e próximo à sua última turnê após uma década de escândalos.

O pop star que inventou o “moonwalk” ajudou no crescimento do mercado do vídeos de música, levando o canal à cabo MTV para o mainstream depois de seu lançamento em 1981. Seu hit de 1982, “Thriller”, ainda o segundo álbum mais vendido de todos os tempos nos EUA , virou um videoclipe dirigido por John Landis que a MTV exibia de hora em hora.

“A audiência era três ou quatro vezes maior do que o normal quando passávamos o vídeo dele”, diz Judy McGrath, presidente da MTV Networks. “Ele estava intrinsecamente ligado à chamada geração MTV”.

Cinco anos depois, “Bad” venderia 22 milhões de cópias. Em 1991, ele assinou um contrato no valor de US$ 65 milhões (R$ 125 milhões) com a gravadora Sony. 

Disney
Jackson era tão popular que até a Walt Disney Co. pegou carona no seu sucesso em 1986, com o cantor estrelando um filme em 3D em todos os seus parques chamado “Capitain EO”, com produção executiva de George Lucas e dirigido por Francis Ford Coppola. A última dessas atrações, em Paris, fechou 12 anos depois.

Um dos negócios mais perspicazes de Jackson no auge de sua fama em 1985 foi a aquisição da ATV Music, no valor de US$ 47,5 milhões (R$ 91 milhões), que detém os direitos autorais das músicas compostas por John Lennon e Paul McCartney queando estavam nos Beatles. O catálogo deu a Jackson uma renda constante e a possibilidade de manter um estilo de vida luxuoso.

Ele comprou o rancho de Neverland em 1988 por US$ 14,6 milhões (R$ 28 milhões), uma propriedade de mais de 10 mil hectares nas colinas de uam área de vinicultura do condado de Santa Barbara.

Acusações
Mas a acusação de que ele teria molestado um garoto de 13 anos em 1993 caiu como uma bomba.

“Aquilo representou o começo do um caminho trágico para ele, financeiramente, emocionalmente, espiritualmente, psicologicamente, legalmente”, diz Michael Levine, seu assessor na época.

Ele chegou a um acordo com a família do garoto, mas outras acusações da sua suposta pedofilia começaram a aparecer.

Quando entrou em problemas financeiros, ele chegou a um acordo com a Sony para fundir o catálogo de canções da ATV com a da Sony, e vendeu para a empresa direitos de publicações musicais no valor de US$ 95 milhões (mais de R$ 183 milhões). Em 2001, ele usou sua metade da ATV como garantia para conseguir um empréstimo de US$ 200 milhões (R$ 387 milhões) do Bank of America.

Conforme seus problemas financeiros persistiam, ele começou pegar empréstimos de maior valor, de acordo com um processo de 2002 do Union Finance & Investment Corp., empresa de consultoria que exigia US$ 12 milhões (R$ 23 milhões) por honorários e despesas que não foram pagas pelo cantor.

Em 2003, Jackson foi preso sob a acusação de ter molestado outro garoto de 13 anos. O julgamento de 2005, que terminou em um acordo, trouxe à luz mais detalhes das finanças de Jackson. 

Gastando mais do que ganhava
Um contador forense testemunhou dizendo que o cantor estava em uma “crise financeira”, e que estava gastando anualmente entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões (entre R$ 38 milhões e R$ 58 milhões) a mais do que ganhava.
Em março de 2008, o cantor teve que encarar a execução da hipoteca de Neverland. Ele também deixou repetidamente de pagar a hipoteca de sua casa em Los Angeles, usada por anos pela sua família.

Além disso, Jackson foi obrigado a se defender de uma série de processos nos últimos anos, incluindo uma ação no valor de US$ 7 milhões (R$ 13 milhões) do Sheik Abdulla bin Hamad Al Khalifa, segundo filho do rei do Bahrain.

Leilões com objetos que teriam pertencido ao cantor eram frequentemente anunciados, mas entravam em disputas judiciais e acabavam cancelados.

Muitas vezes Jackson arranjava uma maneira de conseguir dinheiro, emprestando dezenas de milhões de dólares por vez ou contando com amigos ricos para receber conselhos ou até mesmo dinheiro.

Al Khalifa, de 33 anos, colocou Jackson sob suas asas depois do seu último problema nos tribunais, levando ele para o pequeno país no Golfo e lhe entregando muito dinheiro.

No seu processo, Al Khalifa diz ter dado a Jackson milhões de dólares para ajudá-lo a acertar suas finanças, gravar um álbum, escrever uma autobiografia e subsidiar seu estilo de vida – incluindo mais de US$ 300 mil (R$ 581 mil) para um “guru motivacional”. A ação foi retirada em 2008, após um acordo com valores não anunciados. Tanto o disco quanto a biografia nunca foram produzidos. 

Neverland
Outro amigo rico ajudou Jackson em 2008, quando ele teve que encarar a perspectiva de perder Neverland em um leilão público.

O bilionário Thomas Barrack, presidente da firma de investimento predial de Los Angeles Colony Capital LLC, concordou em financiar o cantor e criou uma joint venture com Jackson para recuperar o controle da propriedade.

Barrack não estava disponível para comentários nesta quinta-feira (25), mas se referiu ao cantor em um comunicado como “um homem gentil, talentoso e compassivo”.

Uma peça final do quebra-cabeças financeiro achou seu lugar em março deste ano, quando a AEG Live, empresa de produção de shows do bilionário Philip Anschutz, anunciou que iria promover 50 shows na O2 Arena, em Londres. Com os ingressos esgotados, o primeiro show da turnê “This is it” estava marcado para o dia 8 de julho.

Jackson, que ganhou 13 Grammys, não entrava em turnê desde 1997. Seu último álbum de estúdio, “Invencible”, foi lançado em 2001.

Mas a data de abertura foi adiada para o dia 13 de julho, e alguns shows foram transferidos para março de 2010, alimentando a especulação de que Jackson estaria sofrendo de problemas de saúde que poderiam atrapalhar a sua volta aos palcos.

Após a sua morte, causada pro um ataque cardíaco de acordo com seu irmão Jermaine, aparece a questão a respeito de um seguro responsável pela devolução do dinheiro aos compradores dos ingressos. A AEG Live ainda não respondeu os pedidos de comentário.

Jackson estava ensaiando para os shows em Los Angeles no Staples Center com Kenny Ortega, coreógrafo e diretor dos filmes da série “High school musical”, que trabalhou em clipes do cantor como “Dangerous” em 1993.

“Mantivemos uma amizade de 25 anos. O que aconteceu é mais do que eu posso compreender”, disse Ortega em um comunicado. “Ele era o maior performer do mundo, e o mundo vai sentir sua falta”.

Fonte: G1

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