Escola Tasso da Silveira, local dos assassinatos dos alunos em Realengo, ganhará posto de primeiros socorros e inspetores

abril 18, 2011 | Aluna, Aluno, América do Sul, Brasil, Comportamento, Prefeito, Realengo, Rio de Janeiro, Violência

A secretária municipal de Educação, Claudia Costin, se reuniu na manhã desta segunda-feira com uma comissão de dez pais que representa todos os responsáveis por alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo.

A secretária afirmou que as principais reivindicações dos pais foram acatadas. As prioridades apontadas pelos responsáveis foram a presença de um psicólogo permanente na escola, a segurança feita por guardas municipais, a instalação de um posto de primeiros socorros, a contratação de inspetores e uma atenção maior a alunos que possam ter um comportamento apático e até influenciado por Wellington Menezes de Oliveira, autor dos disparos que mataram 12 crianças.

Segundo a secretária, o posto de primeiros socorros pode ficar pronto em três semanas e será integrado ao Programa de Saúde da Família e às UPAs. Claudia Costin afirmou ainda que dois inspetores devem começar a trabalhar na escola na semana que vem.

Ela informou que foi publicado no Diário Oficial de hoje o abono das faltas dos professores e funcionários da rede municipal na quinta, dia 7, e na sexta-feira, dia 8.

Quinze jovens da Escola Municipal Nicarágua, também em Realengo, estão na Tasso da Silveira para recepcionar os alunos do 9º ano.

– Funciona muito melhor jovem falando com outro jovem – disse a secretária.

Escola recebe 20 pedidos de transferência

A escola municipal recebeu 20 pedidos de transferência em apenas quatro dias, segundo o diretor Luís Marduk. O diretor disse, contudo, que alguns pais já desistiram da intenção de tirar os filhos da escola, que nesta segunda-feira reabriu para parte dos seus 1.172 alunos.

Renata dos Reis Rocha, de 35 anos, esteve no colégio na manhã desta segunda-feira para pedir o histórico e a transferência da filha Brenda Rocha Tavares, de 13 anos, que está internada no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), devido aos ferimentos causados pelos tiros. Ela é irmã gêmea de Bianca Tavares, que morreu na tragédia.

– Minha filha viu a irmã morrer e está muito nervosa, não quer voltar para a escola de jeito ennhum. Mas não vou deixar ela perder o ano – disse Renata.

Neste primeiro dia, apenas atividades culturais
A expectativa é de que os estudantes voltem à rotina gradativamente. Segundo a Secretaria municipal de Educação, não há prazo para as aulas retornarem à rotina habitual.

Os professores e a direção do colégio recepcionarão os alunos do 9º ano, que realizarão apenas atividades culturais e lúdicas, como a criação de mosaicos e a pinturas de paredes. As tarefas poderão ser acompanhadas pelos pais. Uma equipe de psicólogos estará a postos no local para dar apoio à comunidade escolar.

– Eu não vou parar de estudar por conta do que houve – diz M.V.S, aluno do 5º ano, que, no dia da invasão, refugiou-se com os colegas e a professora em uma sala do 3 andar.

Andrea Tavares, mãe de T.T.M., de 13 anos, que continua internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, diz que a filha terá a chance de escolher se quer permanecer ou não no colégio.

– Não quero decidir isso por ela. Tenho uma outra filha que, por sorte, perdeu o horário da aula no dia da tragédia. Essa já decidiu que vai continuar lá – afirma Andrea.

Segundo a mãe, T.T.M., baleada no braço e na cintura, foi operada às pressas no Hospital Estadual Albert Schweitzer no dia 7 e, em seguida, transportada de helicóptero para o Hospital Adão Pereira Nunes. Andrea conta que sua filha teve uma infecção nos pontos internos do abdômen, obrigando-a a enfrentar uma nova cirurgia no sábado. Ela diz que a menina está lúcida e que se recupera bem, mas que não há previsão de alta.

– Voltar para o colégio vai depender da vontade dele. É a melhor escola da região. Gostaria que ele voltasse. Por aqui, não temos opções de bons colégios – conta a cabeleireira Carla Daniele Vilhena de Souza, diante do enteado, Carlos Matheus Vilhena de Souza, que levou um tiro de raspão.

O Prefeito Paes abona falta de professores municipais no dia do massacre

O prefeito Eduardo Paes publicou, no Diário Oficial desta segunda-feira, um decreto abonando as faltas dos servidores da Secretaria Municipal de Educação, nos dias 7 e 8 de abril, por conta do massacre. De acordo com o texto do decreto, para abonar as eventuais faltas nos colégios, a prefeitura levou em consideração o impacto causado pelo ataque aos alunos em professores e funcionários administrativos.

Deixe seu comentário

Sobre este site

Site que reúne as notícias mais relevantes da mídia nacional e internacional.