Exames nos corpos apontam que Airbus se partiu durante queda

junho 12, 2009 | Acidentes, Aviação, Estudos, Incidentes, Medicina, Pernambuco, Recife

O exame preliminar nos corpos de 16 das 228 vítimas do voo 447 da Air France (Rio-Paris) reforça a hipótese de que ao menos parte do Airbus A330 se desintegrou durante a queda no Oceano Atlântico.

Foto da parte do avião da Air France sendo levada pelo navio de resgate

A maioria dos corpos analisados pelos legistas em Fernando de Noronha chegou despida ou só com roupas íntimas, sinal de que as vestes podem ter sido arrancadas pelo deslocamento do ar.

A perícia inicial permite ainda afastar, pelo menos por ora, a possibilidade de fogo ou explosão na aeronave, uma vez que não foram detectadas queimaduras em nenhum dos corpos.

O resultado das necropsias deve ajudar o Escritório de Investigações e Análises para a Aviação Civil da França (BEA) a traçar a provável dinâmica do acidente, sobretudo se as caixas-pretas não forem encontradas.

Embora os corpos tenham sido resgatados relativamente íntegros, quase todos apresentavam múltiplas fraturas – nos membros superiores, inferiores e na região do quadril.

Os exames que servirão para atestar a “causa mortis” começaram a ser feitos na manhã de ontem pelo Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. Mas, diante das evidências, tudo indica que tenha sido provocada por politraumatismo ocasionado pelo choque com a água em alta velocidade.

A possibilidade de afogamento, que indicaria uma morte posterior à queda do avião, não havia sido verificada até a tarde de ontem. Não havia sido identificada água nos pulmões – o que caracterizaria o afogamento.

Além do estado geral dos corpos, a tese de desintegração da aeronave é reforçada por outros dados do acidente. De acordo com mapas produzidos pela Força Aérea Brasileira (FAB), as equipes de resgate encontraram duas linhas de corpos, distantes 85 quilômetros uma da outra, próximas do ponto virtual de navegação aérea chamado de Tasil.

Se o avião tivesse chegado inteiro ao mar, dizem investigadores, os corpos deveriam estar próximos, mesmo depois de mais de dez dias à deriva. A única peça grande içada do mar foi o estabilizador vertical, onde está fixado o leme.

Depois de retirados do mar pelos navios da Marinha, os corpos seguem de helicóptero até Fernando de Noronha, onde é coletado material para a identificação – como impressões digitais, tecidos do corpo e fios de cabelo. Roupas e pertences também estão sendo fotografados e catalogados e, nos próximos dias, serão apresentados às famílias das vítimas.

Outros 25 corpos que foram desembarcados ontem na ilha só devem ser levados a Recife no fim de semana. “Estimamos que a perícia inicial, feita em Noronha, dure cerca de três horas para cada corpo.

No sábado pela manhã deveremos enviar 12 ou 13 corpos e na tarde do domingo o restante”, diz o brigadeiro Ramon Borges, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo.

Ontem, a Aeronáutica também começou a trabalhar, em Natal, no desembarque dos primeiros destroços recolhidos, um total de 37 pedaços.

Deu no Jornal da Tarde
Por Bruno Tavares e Monica Bernardes

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