Gravação que mostra o governador José Roberto Arruda negociando divisão de dinheiro no DF

novembro 28, 2009 | América do Sul, Áudio, Brasil, Brasília, Comportamento, Crime, Distrito Federal, Flagrantes, Foto, Golpe, Polícia, Política

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Inquérito do STJ trouxe relatos de gravações feitas com escuta.
‘Você já pegou sua parte?’, pergunta Arruda a secretário exonerado.

A TV Globo teve acesso exclusivo neste sábado (28) às gravações, feitas com autorização judicial, em que o ex-secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal Durval Barbosa e o governador José Roberto Arruda (DEM) tratam da suposta divisão de dinheiro entre membros do primeiro escalão do governo. O Inquérito também aponta a existência de mesada a parlamentares da base aliada do GDF.

Ouça aqui a gravação (arquivo WAV, 37 MB)

As gravações fazem parte de investigações da Polícia Federal, que realizou nesta sexta-feira (27) operação de busca e apreensão na residência oficial do governador, em gabinetes de deputados da Câmara Legislativa do DF e em empresas.

Leia também: DEM afirma ter ‘confiança’ em Arruda, governador do DF

Veja abaixo a transcrição do diálogo da gravação, como divulgado pelo G1 nesta sexta. Durval Barbosa, que delatou o suposto esquema em troca dos benefícios da delação premiada, e o governador discutem a divisão de valores entre membros do governo e citam empresas que supostamente seriam responsáveis pelo repasse do dinheiro.

“Hoje, hoje tem isso aí pra você fazer o que cê quiser, pagar a missão. Agora, se for no… no… na coisa normal, no dia a dia, no comum, cê teria hoje quatrocentos disponível. Pra entregar a quem você quisesse.

O diálogo, segundo o documento, aconteceu há pouco mais de um mês, em 21 de outubro 2009.
Veja trechos do diálogo

Arruda: Tudo bom, Durval?

Durval: Mais ou menos, né? Vamos olhar isso aqui primeiro? Isso aqui é o seguinte: isso aí foi do ???. Eu até perguntei pro Maciel se ele tinha alguma… Alguma soma, pra isso aí. Aí ele falou: Não, ele prefere conversar com você. Aí o que que aconteceu, o Gilberto foi doze, tirando os impostos, ficou novecentos e quarenta e oito. Aí antecipou a você. O Paulo… O Paulo Octávio [vice-governador do DF mandou pagar cinquenta ao Giffone [Roberto Giffoni, corregedor-geral do DF] e cento e vinte ao Ricardo Pena [secretário de planejamento do DF]. Aí, o Toledo resolveu o caso desses… Do meninos aí, que eu acho que é louvável, que é o Miquiles e o Nonô, tá?

Arruda: Quem?

Durval : Miquiles e Nonô. Miquiles cê sabe quem é. Nonô é o… foi o diretor lá. Que… Situação de penúria. Aí ficou, é… seiscentos e vinte e oito. Seiscentos e vinte e oito, aí soma esses totais aí que chegaram, ta faltando chegar cem da Vertax, é… E ta faltando chegar… Aí o Gilberto ta faltando chegar, que dá um pouco. Aí vem o Re… A questão do conhecimento, do reconhecimento, dá uns nove, aproximadamente nove. Aí, vai uns setecentos e cinqüenta, oitocentos, por aí.

“Foi pago quinze bruto. Quinze… Quinze tudo. Quinze, quinze, quinze. Quinze. Do Gilberto foi pago doze. Cê multiplica aí por vinte ponto vinte e seis. O dele é maior um pouquinho, que é cinco a mais. É ponto vinte e seis, ponto cinco, dá novecentos e quarenta e oito.”

Arruda: Hoje tem disponível isso aqui?

Durval: Hoje, hoje tem isso aí pra você fazer o que cê quiser, pagar a missão. Agora, se for no… no… na coisa normal, no dia a dia, no comum, cê teria hoje quatrocentos disponível. Pra entregar a quem você quisesse.

Arruda: Ótimo

Durval: Tá? Mas se você tiver outra missão… Você fez muito acordo e eu não… Eu falei com o Maciel o seguinte, eu falei: Olha Maciel, tem que olhar o seguinte: ele fez muito acordo nesses negócios (???) política. Então, tem que perguntar pra ele, pra gente não antecipar as coisas. Aí, quando veio esse negócio do Paulo Octávio, eu falei Puta! Já sacaneou de novo. Entendeu?

Arruda: É.

Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos… novecentos e noventa e quatro, você já pegou sua parte?

Durval: Mas se tiver de reclamar com você, e não fala pro Paulo Octávio pra primeiro te perguntar.

Arruda: Ah é. Mas tô querendo (???) seguir as ordens do Paulo. Primeiro, fala comigo.

Arruda: Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos… novecentos e noventa e quatro, você já pegou sua parte?

Durval: É foda! É encantamento. Encantamento é uma desgraça.

Arruda: É. Deixa eu te perguntar uma coisa, é… somando as quatro daqui, quanto foi pago?

Durval: Foi pago quinze bruto. Quinze… Quinze tudo. Quinze, quinze, quinze. Quinze. Do Gilberto foi pago doze. Cê multiplica aí por vinte ponto vinte e seis. O dele é maior um pouquinho, que é cinco a mais. É ponto vinte e seis, ponto cinco, dá novecentos e quarenta e oito. Aí ele tá, tá bancando. E… esse da Infoeducacional, olha aí como é que foi. Foi sessenta pro valente, tá? Porque ele deu integral, não descontou nada. Só veio pro Valente. Deu sessenta pro Valente, sessenta pro Gibrail, mais o Fábio Simão, que são os donos lá da área financeira, né? E não pode… e não tem jeito. Aí, fico…. sobrou um sete oito.

Arruda: Deixa eu te perguntar, nesse valor aqui de nove, novecentos… novecentos e noventa e quatro, você já pegou sua parte?

Durval: Não, eu… Eu só pego quando cê acerta. Só pra pagar advogado.

Arruda: Não. Mas tem que pegar a sua parte, ué. Nós pagamos é…

Fonte G1

Comentários (1)

 

  1. FERNANDO lEÃO disse:

    Governador José Roberto Arruda , sem vergonha Ladrão
    verdadeiros bandidos que somam com os que tem em Brasilia , esse canalha safado , ele e sua quadrilha.

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