Maus tratos e mortes de animais em Hollywood

novembro 26, 2013 | Acidentes, Animais, Cinema, Comportamento, Crime, Entretenimento, Filme, Foto, Violência

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Uma reportagem desta segunda-feira do “Hollywood Reporter” apresenta evidências de que a American Humane Association (AHA), organização responsável por supervisionar o tratamento dispensado a animais nas gravações de filmes e programas de TV, abafou, sistematicamente, casos de maus tratos e mortes, tudo para preservar as relações com poderosos produtores de Hollywood. O texto explica como o grupo se tornou “parte da indústria que deveria regulamentar”.

De acordo com a publicação, que manteve a maior parte das fontes sob anonimato, um treinador deu socos em um cachorro no set de “Resgate abaixo de zero” (2006), filme da Disney estrelado por Paul Walker; um esquilo foi esmagado nas filmagens da comédia romântica “Armações do Amor” (2006), com Matthew McConaughey e Sarah Jessica Parker; e dezenas de ovelhas e cabras morreram em “O Hobbit: Uma jornada inesperada”. Treinadores já haviam denunciado a morte de bichos nos bastidores do épico de Peter Jackson.

“Em 2003, a AHA optou por não comentar publicamente a respeito das dezenas de peixes e lulas mortos que apareceram na praia durante quatro dias de filmagens em ‘Piratas do Caribe: A maldição do Pérola Negra’“, diz a reportagem, intitulada “Animais foram feridos: O pesadelo exposto de Hollywood sobre morte, lesão e sigilo”. “Funcionários não tomaram nenhuma precaução para proteger a vida marinha quando ativaram explosões no oceano, de acordo com o representante da AHA presente no set.”

A AHA — financiada pelo SAG-AFTRA (sindicato de atores) e pela associação comercial Alliance of Motion Picture and Television Producers, que representa os estúdios — argumentou que os incidentes aconteceram de maneira não intencional ou “não relacionadas ao trabalho”.

O “Hollywood Reporter” relata ainda as mortes de uma “girafa idosa” no set de “O zelador animal” (2011), com Kevin James, e de um tanque inteiro de peixes em “O filho do Máscara”. O tigre usado em “As aventuras de Pi” (2012), que rendeu o Oscar de direção a Ang Lee, teria quase se afogado — embora o animal tenha sido recriado em computação gráfica na maior parte das cenas, um modelo real foi necessário em determinados momentos. Os jornalistas obtiveram um e-mail em que uma monitora da AHA, Gina Johnson, relata o acidente para uma colega, e acrescenta, em letras maiúsculas: “NÃO CONTE ISSO PARA NINGUÉM, ESPECIALMENTE PARA O ESCRITÓRIO!”.

Segundo um processo da ex-chefe de produção da Film & TV Unit, Barbara Casey, a AHA também teria concordado em abafar a morte de um cavalo em “Cavalo de guerra”, para “proteger Steven Spielberg, uma das pessoas mais notáveis e com mais influência na história de cinema”, e também para evitar o “grande volume” de atenção que a notícia receberia da imprensa.

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