José Roberto Arruda – Vejas as denúncias de corrupção e a trajetória política do governador do Distrito Federal

fevereiro 12, 2010 | Padrão


Segundo assessor, governador ‘está sofrido’ e vive ‘situação humilhante’.
Governador foi preso por supostamente tentar obstruir investigações.

Um dos primeiros integrantes do governo a visitar o governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM), o chefe da Casa Militar, coronel Ivan Rocha, disse ter encontrado um Arruda “sofrido”, sem dormir e em “situação humilhante”. “Ninguém consegue dormir numa situação como essa. Ele está sofrido, mas está bem. É uma situação humilhante a um governador de estado”, disse Rocha.

O chefe da Casa Militar também disse que Arruda está confiante e aproveitou para criticar a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de afastar do cargo e mandar prender o governador: “Ele está confiante na Justiça. Em 32 anos de serviço nunca vi ninguém ser preso sem ser ouvido, sem ter direito ao amplo direito de defesa.”

No momento, o governo do DF é chefiado interinamente pelo vice, Paulo Octávio (DEM). A defesa de Arruda já entrou com um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).

A decisão da Justiça de mandar prender Arruda irritou seus advogados. A defesa argumenta que o governador não foi ouvido. “Não se faz processo criminal sem contraditório, salvo em estado que esteja no limite do fascismo e do nazismo. Isto é um estado de direito democrático. Essa prisão à margem das garantias da Constituição, na minha ótica, é uma prisão abusiva, ilegal e é, sobretudo, uma prisão desnecessária”, disse o advogado Nélio Machado.

Habeas corpus

O STF deve decidir ainda na manhã desta sexta (12) se concede ou não o habeas corpus a Arruda, disse o ministro Marco Aurélio Mello, responsável pelo pedido.

À repórter Gioconda Brasil, da TV Globo, ele afirmou que, depois de “32 anos de magistratura”, o caso de Arruda não será complicado – mas que é sim uma situação “emblemática.”

Mello disse que, na decisão, que pode sair por volta do meio-dia, vai prevalecer o “bom direito e o respeito às regras.” “É o preço que se paga por vivermos num estado democrático de direito. Um preço módico que está ao alcance de todos, inclusive do governador”, afirmou.

Um grupo de manifestantes contra o governador fez vigília no STF com luz de velas, pedindo que o habeas corpus não fosse concedido. A expectativa era que a decisão de Mello fosse divulgada ainda na noite desta quinta-feira (11), mas o ministro resolveu que não o faria ontem.

Arruda enviou uma mensagem à Câmara Distrital se licenciando do cargo e escreveu uma carta aos amigos. Ele se diz vítima de uma “campanha difamatória” de níveis jamais vistos na vida pública brasileira. Afirma que vai contribuir com a elucidação dos fatos e fala em “armadilhas e golpes baixos” que, segundo ele, serão desmascarados. Em seguida, se entregou à Polícia Federal.

O relator do processo, ministro Fernando Gonçalves, disse à TV Globo que se surpreendeu com o que viu no inquérito da operação Caixa de Pandora.
Tentativa de suborno

O pedido de prisão foi baseado na suposta tentativa de suborno ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Sombra. Por meio de um enviado, o governador teria proposto o pagamento de propina na tentativa de fazer com que Sombra mentisse em depoimento à Polícia Federal.

O decreto de prisão preventiva foi expedido após parecer da Procuradora-Geral da República. Por 12 votos a 2, os ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinaram a prisão do governador.

O STJ também decretou a prisão de mais envolvidos na suposta tentativa de suborno: Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário do governador, que se entregou à PF na noite de quinta, Welignton Moraes, ex-secretário de governo, o ex-deputado distrital Geraldo Naves (DEM), que agora é suplente, Haroaldo Brasil Carvalho, ex-diretor da Companhia Energética de Brasília (CEB), e Antonio Bento da Silva, que já está preso por causa da suposta tentativa de suborno.

Moraes, Carvalho e Naves disseram que se entregariam na noite de quinta, mas não o fizeram até agora.

Houve um cuidado para não expor ainda mais a imagem do governador na hora da prisão. Essa negociação foi feita com a Polícia Federal, atendendo a um pedido do presidente Lula, que sempre teve uma boa relação com Arruda, embora ele fosse de um partido de oposição.

Repercussão

A Ordem dos Advogados do Brasil, que havia pedido a prisão do governador, comemorou. “Essa decisão aponta no sentido de que a corrupção pode ser derrotada no nosso país”, diz o presidente da OAB Ophir Cavalcanti.

A Associação dos Magistrados Brasileiros apoiou a decisão do STJ. Em nota, declarou que a prisão preventiva foi correta porque “há fortes indícios de que o governador do Distrito Federal estaria tentando destruir provas”. “Hoje talvez seja o dia que, vamos dizer, olha foi lá naquele dia que o Brasil, apontado como país campeão mundial da impunidade, os fatos começaram a terminar”, afirma o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

“É um fato de proporções desastrosas para a classe política do Brasil, porque um governador de estado ser preso, nas circunstâncias em que esse fato está acontecendo, é muito ruim para classe política do Brasil”, diz o senador Agripino Maia, líder do DEM.

Fonte G1

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