O país mais caro do mundo: por quê pagamos preços altos pelo produtos que compramos?

agosto 29, 2011 | América do Sul, Brasil, Cofins, Economia, ICMS, Impostos, IPI, Receita Federal

A toda hora nos chegam mensagens de leitores reclamando do preço de algum produto. Há até aqueles que utilizam esse fator como pretexto para defender o contrabando e a pirataria, no velho estilo levar-vantagem-em-tudo. Já virou chavão argumentar que a absurda carga tributária influi diretamente sobre o custo de tudo – fazendo as contas, muitos não aceitam que determinados itens custem aqui até cinco vezes mais do que, por exemplo, nos EUA.

De fato, não são apenas os impostos que elevam os preços. Tem muito mais. A última edição da revista Exame traz um interessante levantamento a respeito, ao mostrar por que os produtos brasileiros não têm competitividade na comparação com os comercializados em outros países. A partir do caso da Vulcabrás, fabricante de calçados que compete diretamente com artigos chineses, a revista enumera os custos laterais que incidem sobre o valor original dos produtos – cálculo que pode perfeitamente ser aplicado aos aparelhos eletrônicos, mesmo os importados. Eis alguns dos itens que entram na conta:

Transporte:

– O custo de levar mercadorias da fábrica (ou do porto, ou aeroporto, no caso dos importados) até o ponto de venda é 126% mais alto no Brasil do que na China.

Energia:

– As empresas brasileiras gastam com esse item cerca de 2,3 vezes mais que suas concorrentes chinesas, 46% a mais que as japonesas e quatro vezes mais que as argentinas.

Dinheiro:

A taxa de juros brasileira continua sendo a mais alta do mundo: enquanto aqui pagamos uma média de 6,7% ao mês, os chilenos pagam 1,5% e os mexicanos, 1,1%.

Mão-de-obra:

Além dos trabalhadores de fábrica, as empresas brasileiras precisam manter equipes, às vezes terceirizadas, para planejar, apurar e recolher os tributos (no caso da Vulcabrás, são 150 pessoas, dez vezes mais do que a concorrente chinesa).

Encargos:

Para cada funcionário contratado, uma empresa brasileira recolhe ao governo o equivalente a 80% do salário pago, outro custo que não tem paralelo no mundo.

Segurança:

É impossível calcular quanto os brasileiros gastam com esse item, que em tese deveria ser de responsabilidade do Estado. Além da segurança em sua própria casa (no caso das empresas, nas fábricas, lojas, escritórios e centros de distribuição), é preciso cuidar também dos produtos em trânsito – é infindável o número de caminhões roubados nas estradas do país.

Seguro:

Quando há insegurança, naturalmente aumentam os prêmios cobrados pelas seguradoras.

Burocracia:

Não parece, mas esse item também pesa muito no custo final dos produtos. A Vulcabrás, por exemplo, é obrigada a destinar cerca de 4 mil metros quadrados, em vários prédios, para guardar livros fiscais que devem ficar à disposição dos agentes federais, estaduais e municipais. Como lembra a Exame, isso equivale a um prédio de dez andares, cada um deles com quatro apartamentos de 100 metros.

Fonte: Blog Orlando Barrozo

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