Para universitárias de SP, vestido curto não combina com sala de aula

novembro 1, 2009 | ABC, América do Sul, Blogs, Brasil, Comportamento, Educação, Foto, Internet, Mundo, Polícia, São Paulo, Sensualidade

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‘Ela pode usar o que ela quiser’, defende Mayra Martins, aluna de publicidade da Cásper Líbero

‘Bom senso’ ao se vestir é o que conta, dizem alunas.
Por outro lado, reação agressiva na Uniban foi condenada.

A roupa adequada para o lugar certo. Para ser mais claro: minissaia não combina com sala de aula, principalmente em faculdade. Por mais que transpareça uma pontinha de machismo nesta assertiva, a opinião de que não se deve usar roupas, digamos, chamativas ou até apelativas na hora dos estudos é praticamente uma unanimidade em algumas das mais tradicionais universidades e faculdades de São Paulo. Entre elas, estão a Pontifícia Universidade Católica (PUC), o Mackenzie, a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e a Cásper Líbero.

O assunto está em alta depois que uma universitária de 20 anos foi hostilizada no dia 22, na instituição onde estuda, por usar um vestido curto e salto alto. O padrão na sala de aula costuma ser calça jeans, camiseta – ou algum outro tipo de blusa sem decote – e tênis ou sandália baixa aberta, principalmente no calor.

Sapato de salto alto só para aquelas que saem direto do trabalho para a classe. Como dizem as alunas entrevistadas pelo G1, “bom senso” é o que conta nessas horas.

Mas, segundo elas, há as exceções também nestas universidades. Atraem os olhares por onde passam e geram comentários, mas tudo dentro do aceitável no convívio social.

Muito diferente da agressiva reação exibida pelos estudantes da unidade de São Bernardo do Campo, no ABC, da Uniban. Além de hostilizada, a aluna foi quase agredida por causa da roupa que usava. Ela precisou vestir um jaleco de um professor que a defendeu e saiu escoltada por policiais militares do local. Vídeos gravados pelos alunos viraram hit na internet.

“Um absurdo”, afirmou Mayra Martins, estudante do 2º ano de Publicidade e Propaganda da Cásper Líbero, que ficou inconformada depois de assistir ao vídeo com a reação dos alunos da Uniban. Ela foi a única a defender a liberdade das pessoas de se vestirem da maneira que bem entenderem, independentemente de lugar e hora. “É difícil fazer qualquer julgamento. Ela pode usar o que quiser”, disse.

Segundo ela, durante o verão as roupas tendem a “encolher” mesmo. “É normal virem de vestinho e de shortinho, principalmente no verão. Algumas vão sair depois da aula então já vêm preparadas. Não tem cabimento uma reação daquelas”, chutando para longe qualquer sinal de machismo.

Mas, para as demais alunas, a sociedade é machista, sim, e, cientes disso, o melhor a se fazer é evitar algumas situações. “Tudo tem um limite. Muito apelativo não é adequado para o ambiente de uma faculdade, não fica legal”, defendeu Evili Borges, também aluna do 2º ano do curso de Publicidade e Propaganda da Cásper Líbero.

De luxo

Nívea Moura, de 23 anos e que cursa o 4º ano da Administração de Empresas do Mackenzie, defende que uma minissaia serve até para ir a um shopping, mas não para uma faculdade. “O grande ‘X’ da questão foi o vestido. A roupa diz um pouco do que você é. Uma roupa dessas costuma provocar, e a faculdade é um lugar para estudar”, declarou. “Mas a atitude dos alunos foi errada”, completou a aluna, que também assistiu ao vídeo.

Como a roupa diz um pouco quem você é, fica mais fácil tirar conclusões a respeito também. Assim como na Uniban, algumas alunas da Faap também vão às aulas com roupas sumárias. “Tem uma que vem com a ‘polpa’ da b… aparecendo. Ela passa e todo mundo comenta. Tanto os comentários bons quanto os ruins. Ela já deve vir preparada para sair da aula e ir ‘trabalhar’”, disse Laís Belfort, de 20 anos e que cursa o 3º ano de publicidade.

Samara Figueiredo, de 20 anos e aluna de Relações Internacionais na Faap, foi mais explícita: “Aqui têm as chamadas prostitutas de luxo. Elas já vêm vestidas para ‘trabalhar’ depois”, contou. Apesar disso, ambas se manifestaram contra a reação agressiva dos alunos da Uniban. “Ela tem o direito de se vestir como quiser. Não se justifica (as agressões)”, ressaltou Samara.

Para Beatriz Helena Alves de Sá Souza, de 21 anos e aluna do 4º ano de Relações Internacionais da PUC, uma “ponta de falso moralismo, muito de machismo e um pouco de inveja” motivaram reação das e dos estudantes da Uniban.

“Antigamente era normal botar uma minissaia”, lembrou, sobre a peça criada, com inspiração da moda de rua, em meados da década de 1960 pela inglesa Mary Quant. Em quase 40 anos, o comprimento da saia teve várias mudanças, tanto para cima quanto para baixo, conforme o humor de estilistas e modelos. Neste período, no entanto, o moralismo e o machismo parecem não ter saído de moda.

Fonte G1

Comentários (3)

 

  1. MELI disse:

    Concordo plenamente com o MARCIO BRASIL,e ainda digo mais acredito que os pais que não orentam seus filhos podem esperar qualquer tipo de reação contra seus flhos…
    na faculdade os (ALUNOS ) se portaram mal, mas imaginem o quanto essa garota não se expoe nas ruas…
    Ou Ela não sabe que nas ruas exstem todo tipo de gente??? loucos, maniacos, psicopatas, tarados. assim como nas faculdades tb…Assim como ela se Promoveu , ela poderia estar morta e ser uma materia na pagna polcial Vitima de um maniaco…

  2. Ivonê de OLiveira disse:

    Não concordo que “isto é ausência da família”, mas sim uma questão de valores. A sociedade atual tem passado por uma verdaeira inversão de valores. Daí os jovens não sabem fazer uso da liberdade e acabam extrapolando o limite. Confudem liberdade com libertinagem, mesmo porque uma jovem com 20 anos já é “dona do seu próprio nariz”

  3. Márcio Brasil disse:

    Ela podia ir até nua, mas como tudo na vida, ela podia, mas não devia. Com certeza eu não deixarei nenhuma de minhas filhas sair de casa para onde que seja com aqueles diminutos pedaços de tecidos. Novamente isso é um reflexo da falta da presença da família.

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