Sistema de aposentadoria extravagante segura crescimento do Brasil

Março 7, 2012 | América do Sul, Brasil, Economia

A reportagem aparece em uma página cuja manchete destaca que o Brasil se tornou a sexta maior economia do mundo, ultrapassando a Grã-Bretanha, após o anúncio feito na terça-feira pelo IBGE dos números do PIB de 2011.

O texto sobre aposentadorias, assinado pelo correspondente do jornal em São Paulo, Joe Leahy, cita o exemplo de uma filha de um veterano da Segunda Guerra Mundial, que herdou a aposentadoria do pai – um direito fixado pela lei brasileira. Por sentir que se trata de uma injustiça, a filha doa o dinheiro para caridade todo mês.

“Ela não é a única que sente desconforto com o sistema demasiadamente generoso de aposentadorias do país”, escreve o jornal. “O seu custo extravagante contribui para distorções na economia que, segundo analistas, evita que o Brasil atinja índices potenciais mais altos de crescimento do produto interno bruto.”

O jornal afirma que o grande gasto do governo com aposentadorias e salários – e a falta de poupança interna – é geralmente considerado o culpado pelo “padrão ‘voo de galinha’ do crescimento” do Brasil – caracterizado por rápidos movimentos de “superaquecimento” e desaceleração nos últimos dois anos.

’Esperança’

O Financial Times afirma que na semana passada, a Câmara dos Deputados ofereceu um “raio de esperança” ao aprovar o Fundo de Previdência Complementar para os Servidores Públicos Federais (Funpresp), sistema que torna as aposentadorias públicas mais parecidas com o sistema privado. O projeto ainda precisa ser votado no Senado.

A reportagem de Leahy defende que o alto custo das aposentadorias no Brasil “restringe o dinheiro que o governo têm à sua disposição para investimentos em infra-estrutura, educação e outras áreas, contribuindo para a inflação ao restringir a capacidade da economia de fornecer bens e trabalho.”

Segundo o jornal, a alta inflação contribui para juros mais altos, que – combinados com impostos caros para cobrir as aposentadorias – elevam o custo de se fazer negócios no Brasil. Outro problema seria o envelhecimento gradual da população brasileira, que gera pressões maiores no sistema de aposentadorias.

Na reportagem de manchete, o Financial Times lembra que o Brasil ultrapassou a Grã-Bretanha como sexta maior economia do mundo, apesar da desaceleração recente da economia brasileira.

O jornal afirma que a queda segue o mesmo padrão observado em outros países emergentes, que também tiveram desaceleração nos últimos trimestres do ano.

“No Brasil, o crescimento fraco pode dar impulso ainda maior aos esforços do Banco Central de cortar a Taxa Selic de juros referenciais, quando o seu comitê de política econômica se reunir hoje [quarta-feira] à noite.”

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