Site de revenda de ingressos – A internet pode virar o paraíso dos cambistas

novembro 3, 2011 | América do Sul, Brasil, Crime, Eventos, Facebook, Internet, Redes Sociais

A ideia do site Comprei e não vou é ótima. Com a temporada de megashows no Brasil, ele tem se tornado uma excelente ferramenta. Na página inicial, ele diz qual é a proposta: “Comprou ingresso e não vai poder ir? Anuncie Aqui!”.

A cena se repete. Os ingressos se esgotam poucas horas depois que as vendas começam, mesmo que o show vá ocorrer meses à frente. Você compra no desespero e logo aparecem os rivais do show: um aniversário imperdível, viagem a trabalho, o nascimento do filho ou simplesmente a desistência. Você não vai morrer com o ingresso na mão. Em vez de sair desesperado atrás de um amigo que queira comprá-lo, tem um site que faz essa mediação para você. E de graça. Sensacional, não?

Hum…

Testamos o serviço. Um colega aqui da redação queria ir ao show do Pearl Jam, mas não conseguiu comprar na época das vendas oficiais. Entrou no site. Ligou para a uma das pessoas que estavam anunciando. Marcou um encontro num shopping de São Paulo e pagou R$ 270 por um ingresso que saiu R$ 210 originalmente. Ponha aí a taxa de conveniência, os gastos com transporte e outros intangíveis e chega-se a um valor que podemos chamar de honesto.

Mas nem sempre é isso que acontece. Alguns festivais mais disputados, como o Planeta Terra, estão com ingressos cotados a R$ 850 (mais de quatro vezes o valor original). É só navegar por outros shows que você verá como existem ofertas muito além do preço tabelado do ingresso. Inserimos “simbolicamente” um ingresso para o show do Pearl Jam, custando R$ 900. Bastou um nome e um email para conseguirmos registrar a venda. Logo depois removemos o anúncio.

Daí você poderia dizer: “Ah, mas compra quem quer. É a lei da oferta e da procura. Se o cara cobrar alto, ele corre o risco de morrer com o ingresso na mão”.

Corre sim. É o mesmo risco que um cambista corre ao cobrar um preço abusivo num ingresso para um show ou para uma partida de futebol. Em muitos países essa prática é considerada legal. Existem diversos sites que fazem a intermediação deste tipo de “barganha”. Não no Brasil. Aqui o Cambismo é considerado um crime contra a economia popular (Lei Nº 1.521, de 26/12/1951).

Em seu artigo 2º/ VI – transgredir tabelas oficiais de gêneros e mercadorias, ou de serviços essenciais, bem como expor à venda ou oferecer ao público ou vender tais gêneros, mercadorias ou serviços, por preço superior ao tabelado, assim como não manter afixadas, em lugar visível e de fácil leitura, as tabelas de preços aprovadas pelos órgãos competentes;

Fazendo uma rápida busca, é possível encontrar algumas condenações.

Não comparo pessoas que viram no site uma forma de faturar um pouco a mais com a desistência a redes criminosas de cambistas, que têm acesso a ingressos desviados de bilheterias ou vendem ingressos falsos. Ainda que perante a justiça o crime seja o mesmo (é certo que as redes de criminosos também vão se enquadrar em formação de quadrilha, falsidade ideológica e outros mil…) Mas é bom a gente ficar ligado. E alertar aqueles que vendem “na inocência”, de que podem estar cometendo um crime.

Conversamos com Daniel Araujo, responsável pelo Comprei e não vou. Ele admite que existem pessoas oportunistas e defende que o próprio comprador ajude a mantê-los longe do site. “Estamos tomando a linha de ir contra cambistas, principalmente nas redes sociais e nesse momento reavaliando processos no website”, afirma. O site também irá reduzir dos atuais seis para quatro ingressos por anúncio. A função do site, segundo Araujo, é servir como um “Mural” ou um “Classificados”. Por isso, a fiscalização do usuário é tão importante quanto as ações do Comprei e não vou.

Outras sugestões? Limitar os preços ao valor oficial dos ingressos de cada um dos shows prevendo uma taxa da conveniência fixa a partir do valor original. Então o cara que comprou antes pode colocar uns 10%, 20% de taxa, como as empresas de ingresso cobram em suas vendas pela internet. Reforçar o cadastro com CPF e outras informações que identifiquem o vendedor entre outras.

O que não é legal é ver mais um serviço com uma proposta legal ser utilizado como trampolim online de aproveitadores. A internet pode virar o paraíso dos cambistas, sejam eles profissionais ou amadores.

Fonte: Época

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