Toque retal e PSA (sangue) – Exames anuais não reduzem mortes por câncer de próstata em pacientes nos Estados Unidos

janeiro 9, 2012 | América do Norte, EUA, Medicina, Mundo, Saúde, Utilidade Pública

Cientistas norte-americanos afirmam que realizar exames frequentes para diagnóstico de câncer de próstata em homens não reduz o número de mortes provocadas pela doença. Um estudo que acompanhou 76 mil homens e mostrou que o rastreamento anual ajudou na detecção de mais casos, mas não alterou no número de óbitos por conta do desenvolvimento do tumor.

O trabalho foi feito por profissionais da Escola de Medicina da Universidade de Washington, localizada na cidade de Saint Louis, no centro dos Estados Unidos. Os resultados foram publicados em uma publicação médica do Instituto Nacional de Câncer do país.

Para o principal autor do estudo, o urólogo Gerald Andriole, a maior parte dos homens não precisa passar pelos exames anualmente. Os mais comuns usados na procura por tumores na próstata são o de toque retal e o de sangue — neste último são medidos os níveis de uma proteína chamada antígeno prostático específico (PSA).

Os homens consultados no estudo tinham entre 55 e 74 anos e foram acompanhados durante seis anos. Neste período, eles foram divididos em dois grupos: o primeiro continha homens que passaram por exames de sangue todos os anos e de toque retal durante quatro anos consecutivos; já o segundo reunia pacientes que fizeram exames de rotina apenas quando os seus urologistas os prescreviam.

Entre aqueles que passaram por testes anuais, o número de casos de câncer detectados foi 12% maior — 4.250 tumores contra 3.815. Mas a contagem de óbitos entre os dois grupos não foi tão diferente, com 158 mortes entre os monitorados anualmente e 145 entre os homens que fizeram exames apenas quando seus médicos os recomendaram.

Para Andriole, homens devem solicitar um teste de PSA logo ao atingir 40 anos, pois pesquisas recentes mostram que o aumento da substância nessa idade pode indicar o surgimento de um tumor na próstata depois de alguns anos. Caso os níveis da enzima estejam baixos nessa idade, o médico afirma que exames posteriores talvez sejam desnecessários.

A mesma equipe já havia divulgado dados parecidos em um artigo publicado em 2009 na renomada revista médica “New England Journal of Medicine”. Segundo Andriole, agora é possível dizer com mais segurança que os homens mais jovens é que irão se beneficiar mais dos exames para diagnosticar câncer de próstata.

O médico defende uma mudança na prática médica e afirma que idosos e pessoas com expectativa de vida limitada não devem passar pelos testes. Andriole diz que é preciso focar no monitoramento de homens saudáveis e jovens, especialmente aqueles com risco maior de desenvolver a doença como pessoas com histórico familiar e afrodescendentes.

Outro argumento lembrado por Andriole está no fato de muitos pacientes morrerem por conta de outras doenças como ataque cardíaco, derrames, diabetes, doenças no pulmão e no fígado antes de serem afetados pelos tumores na próstata — glândula que produz parte do material que compõe o esperma.

Os pesquisadores norte-americanos vão continuar a acompanhar os pacientes do estudo até completarem 15 anos de monitoramento.

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