Transplante de órgãos – Suspeitas que Steven Jobs tenha “furado fila” para receber fígado

junho 23, 2009 | América do Norte, Mundo, Saúde, Tecnologia

Foto-Steven-Jobs-Apple-Cancer-FigadoAs informações de que o presidente-executivo da Apple, Steven P. Jobs, viajou ao Tennessee para um transplante de fígado cerca de dois meses atrás suscitam muitas questões – não apenas quanto ao seu prognóstico de saúde mas também sobre o sistema que aloca órgãos escassos às muitas pessoas que necessitam de transplantes.

Sempre que uma pessoa rica e famosa recebe um transplante, surgem suspeitas inevitáveis sobre a possibilidade de que a pessoa tenha conseguido de alguma maneira furar a fila de espera, e com isso recebido um órgão que poderia ter salvado a vida de outra pessoa em situação de saúde igualmente desesperada mas não tão conhecida do público. Teorias sinistras como essa são comuns, por exemplo, com relação ao antigo jogador de beisebol Mickey Mantle, que em 1995 precisou esperar apenas um dia para obter um fígado para transplante, e mesmo assim morreu de câncer hepático apenas dois meses mais tarde.

Alguns médicos dizem que, para Jobs, um transplante pode ter sido uma solução sábia em termos médicos – ainda que outros afirmem que os indícios disponíveis não permitem conclusões.

Os médicos também afirmam que não existe necessidade, e tampouco muita oportunidade, de trapacear o sistema. Sob os procedimentos em vigor, qualquer centro de transplantes organiza uma lista de espera contendo os nomes de potenciais recebedores de fígados, e os classifica em termos de prioridade, com base em suas condições de saúde e na duração de sua doença. Não há um método que permita que alguém fure a fila e receba um transplante antes de um paciente que esteja mais doente.

No entanto, ainda assim existem maneiras de manipular o sistema de modo favorável a determinados indivíduos. Os tempos de espera por transplantes de fígado variam nas diferentes regiões do país, e uma pessoa que tenha condições financeiras de viajar pode se instalar na cidade ou estado com a lista de espera mais curta e aguardar até que seu nome esteja no topo da lista, e depois disso que surja um doador compatível. Há pacientes, por exemplo, que alugam apartamentos ou se hospedam em hoteis próximos ao hospital escolhido e esperam o telefone tocar. Não é um sistema justo, mas tampouco se pode defini-lo como ilegal.

O transplante, mas não a localização do hospital em que foi realizado, foi confirmado por pessoas que receberam informações sobre o assunto de atuais e antigos membros do conselho da Apple. Jobs não quis comentar.

Os médicos dizem que a razão mais provável para que Jobs necessitasse de um transplante de fígado seria o câncer pancreático pelo qual ele foi tratado cirurgicamente em 2004; o câncer poderia estar em metástase, e com isso atingido seu fígado.

“Se fosse necessário desenvolver uma suposição sobre os motivos para que ele tenha recorrido a um transplante, acredito que a razão mais provável teria sido uma metástase do câncer pancreático para o fígado”, disse o Dr. Richard Goldberg, especialista em câncer pancreático na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, que não esteve envolvido no tratamento de Jobs.

Ainda que outros tipos de doença hepática, não relacionados ao câncer, possam resultar em necessidade de transplante, os especialistas afirmam que o câncer é a explicação mais provável.

O fígado é o lugar mais comum para que ocorra expansão de um câncer pancreático, especialmente da variedade rara de que Jobs sofria, conhecida como “tumor neuroendócrino“, diz Goldberg. Esse tipo de tumor tende a crescer lentamente e a ser muito mais passível de tratamento do que a variedade mais comum de câncer pancreático, que usualmente é fatal em prazo de meses.

Quando os tumores neuroendócrinos entram em metástase, diz Goldberg, é comum que eles se expandam ao fígado, em lugar de a outras porções do corpo, e isso tornaria um transplante recomendável.

No entanto, é frequente que, quando tumores se expandem ao fígado, os médicos sejam capazes de extirpá-los por meio da remoção de apenas uma parte do fígado. O fato de que Jobs tenha necessitado de um transplante sugere que ele poderia ter a doença em forma difusa em diversas porções de seu fígado, o que não representaria um bom augúrio, disse Goldberg.

“O prognóstico para uma pessoa que tenha uma doença do fígado em estado de metástase não é de maneira alguma tão positivo quanto para uma pessoa que tenha um câncer confinado ao pâncreas”, afirmou o especialista.

“Creio que isso confirme as especulações de que a situação dele fosse mais grave do que vinha sendo admitido em público”, afirma Goldberg, “mas ainda assim não há como determinar em que direção as coisas se desenvolverão a partir de agora, com base nos dados disponíveis”.

Goldberg afirma que não foram realizados estudos clínicos em larga escala e com grupos de controle para determinar os benefícios de um transplante no caso de um câncer desse tipo.

“Há controvérsias quanto a um transplante ser ou não uma abordagem produtiva em uma situação como essa”, disse.

O Dr. Lewis Teperman, diretor de cirurgia de transplante e vice-presidente de cirurgia no Centro Médico Langone, na Universidade de Nova York, diz que transplantes são realizados frequentemente nos casos de pessoas portadoras de determinados tipos de câncer do fígado. Cerca de metade dos transplantes de fígados que o centro médico que ele dirige realiza envolvem órgãos cancerosos, disse Teperman, ainda que não usualmente para pacientes em estado de metástase.

De acordo com um estudo abrangente sobre pacientes norte-americanos de transplantes, mais de metade dos receptores de transplantes de fígado, em casos de câncer, apresentava sobrevida superior a cinco anos.

“Um transplante seria uma solução razoável para o tratamento de metástase do tipo do câncer pancreático que Jobs teve”, disse Teperman, acrescentando que se o fígado de Jobs estivesse “cheio do tumor”, o transplante prolongaria sua vida.

“Mas não é possível calcular por quanto tempo, porque não estou informado sobre as dimensões do tumor”, disse Teperman, que, como Goldberg, não esteve envolvido no tratamento de Jobs.

Infelizmente, disse Teperman, os medicamentos que ele deve tomar para impedir que o transplante seja rejeitado podem permitir que o tumor ressurja.

“Podem restar algumas células cancerosas espalhadas pelo corpo, e elas tendem a retornar ao novo fígado”, ele disse.

Algumas pessoas conseguem evitar a necessidade de entrar na lista de espera por órgãos para transplante, caso obtenham um órgão de doador vivo – em geral um parente ou amigo que se oferece como voluntário para doar parte de seu fígado. Mas Teperman disse que não recomendaria uma cirurgia desse tipo para uma pessoa com tumores extensos no fígado, porque pacientes como esses também poderiam necessitar de uma veia que não poderia ser removida de um doador vivo. A melhor solução para uma pessoa nessa situação seria esperar um fígado de paciente morto, ele afirma.

O sistema de doação de órgãos dos Estados Unidos é administrado pela Rede Unificada de Compartilhamento de órgãos, conhecida pela sigla UNOS. Trata-se de uma organização sem fins lucrativos sediada em Richmond, Virgínia, que opera sob contrato do governo federal.

Quando um órgão como um fígado se torna disponível, a UNOS faz uma busca em seu banco de dados de pacientes, para identificar aqueles que mais necessitam do órgão e estejam registrados no centro de transplantes no qual aquele órgão esteja disponível, diz Anne Paschke, porta-voz do grupo.

Para que se qualifique para um órgão, um paciente primeiro precisa ser examinado e aprovado para um transplante por um médico naquele centro. Os pacientes muitas vezes se registram com centros de transplante próximos às suas moradias, ou são instruídos pelas administradoras de seus planos de saúde a se registrar junto a um centro específico, diz Paschke.

Mas não há nada, exceto o custo, que impeça um paciente de se registrar em múltiplos centros de transplante em todo o país, afirmou Paschke. Uma pessoa dotada de um plano de saúde generoso ou que possa arcar pessoalmente com o custo dos tratamentos médicos preparatórios e do transplante estaria em vantagem, nesse caso.

Existem muitos dados disponíveis para o público e que podem ajudar um paciente a calcular o tempo de espera e obter outras informações sobre os diferentes centros de transplante instalados em todo o país.

Por exemplo, no Tennesse, o Estado onde Jobs supostamente teria realizado o seu transplante, o tempo médio de espera varia de 3,8 meses no Hospital Metodista de Memphis a 17,2 meses no Centro Médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, de acordo com um registro sobre transplantes operado pela Arbor Research Collaborative for Health, uma organização de pesquisa, e pela Universidade do Michigan. O tempo médio de espera nacional é de 12,3 meses, de acordo com o mesmo registro.

Paschke afirma que a única forma de um paciente adquirir um órgão doado sem recorrer ao sistema da UNOS seria que um doador dispusesse antes de morrer que seu órgão fosse dado a determinada pessoa.

O Dr. Michael Porayko, diretor médico de transplantes de fígado na Universidade Vanderbilt, disse que uma pessoa com acesso rápido a um jatinho executivo provavelmente seria capaz de chegar a qualquer centro de transplante nos Estados Unidos em prazo de seis horas, o período ideal de espera para a realização de um transplante. Em caso de necessidade, ele diz, o prazo pode se estender a 12 horas.

“Se você tiver acesso a um jatinho e conseguir chegar a qualquer parte do país em prazo de seis horas, teria ampla escolha em termos de programas de transplante”, disse Porayko.

A Universidade Vanderbilt informou que não é o centro de transplante em que Jobs realizou sua cirurgia. Um sistema de classificação desenvolvido pela UNOS e conhecido como “classificação MELD” determina a posição de um paciente na lista de espera de transplantes. Quanto mais alta a pontuação, em uma escala de seis a 40 pontos, mais doente o paciente e mais alta sua posição. Empates são decididos com base em quem detenha aquela pontuação há mais tempo.

Mas os pacientes com classificação MELD elevada na costa leste ou na costa oeste dos Estados Unidos podem ter de esperar mais tempo do que pessoas com a mesma classificação que estejam registradas em centros de transplante da região centro-oeste ou outras porções do país, porque a demanda mais alta nas costas implica em menor disponibilidade de órgãos, afirma Porayko.

Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times

Fonte: Terra

Comentários (1)

 

  1. Ivanise dos santos disse:

    Venho por meio desta oportunidade pedir ajudo pois meu filho e portador de uma deficiencia rara chamada glicogenose falta de uma enzima fosfatase 6 no figado possu hepatomegalia,ele tem 8 anos 75 kl não sabe ler pouco escrever pois a doença está prejudicando. Ele em tudo até a rotina ecolar já pedi o tranplante para ele viver normal como gente,pois toma 12 kilos de maizena grua no mes está nervoso cansado vive com figado estragado atraz de uma solução que não me deram somente alimentar dia e noite de 3 em 3 horas, para ele não entrar em convulção e vir falecer um absurto aqui no Rio Grande do Sul Eu ja não tenho mais saúde adiquiri ja reto colte ulcera ativa dos nervos atraz de uma solução.Me ajudem.Por favor sou de Porto Alegre rs .Já corro ha 8 anos sem solução fui na Promotoria me pediram um loudo para transplante ninguém quer me dar mas meu filho tem direito por ser hepatomegalia,Mas deve sair muito caro para o Estado mas uma boa diãria dos politicos nada e caro a vida dum ser humano não e nada enchendo os bolsos com nossos impostos ,tributos e muito mais.Estou cansada de tanta safadesa.

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