RuNet – Rússia testa internet própria

dezembro 26, 2019 | Internacional, Internet, Mundo, Rússia, Tecnologia

Rússia testou com sucesso uma rede própria de internet, conhecida no país como RuNet, no dia 23 de dezembro, tendo sido capaz de desligar-se da restante rede global de internet sem que os utilizadores russos tivessem dado por isso. A garantia é dada pelo Ministério do Desenvolvimento Digital, Comunicações e Meios de Comunicação russo, citado pela publicação BBC.

«Os resultados dos exercícios mostraram que, de maneira geral, tanto as autoridades como os operadores de telecomunicações estão prontos para responder efetivamente a possíveis riscos e ameaças, e garantir o funcionamento estável da internet e da rede de telecomunicações unificada da Rússia”, disse Alexey Sokolov, do ministério, citado pela agência de notícias russa Pravda.

Não foram revelados detalhes ou números do teste realizado à RuNet, tendo Alexay Sokolov garantido que os resultados vão agora ser partilhados com o presidente Vladimir Putin. O objetivo do teste era colocar à prova a capacidade de resposta dos russos a eventuais ameaças externas à rede própria de internet.

Além de agências governamentais, os testes contaram ainda com a colaboração de empresas de telecomunicações e tecnológicas russas, segundo escreve a publicação ZDNet.

Ao conseguir criar uma rede de internet própria, a Rússia poderá exercer um maior controlo sobre os conteúdos que estão disponíveis nessa rede – um pouco como já acontece com a «Grande Firewall da China», mas numa lógica de “rede interna” (intranet). Por exemplo, especialistas ouvidos pela BBC alertam que até a utilização de redes privadas virtuais (VPN na sigla em inglês), que permitem aceder a conteúdos que estão geobloqueados usando acessos de outros países, pode deixar de ser eficaz caso a RuNet avance.

A Rússia tem, nos últimos meses, mostrado interesse em apostar mais em tecnologias russas e cortar a dependência que possa existir relativamente a serviços criados noutros países. Por exemplo, o país vai criar uma versão própria e alternativa à Wikipédia e também vai proibir a venda de smartphones e computadores que não têm software russo pré-instalado.

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